Configurações de privacidade não asseguram controle de dados na web!

Configurações de privacidade não asseguram controle de dados na web…

O mais recente hit da internet é o vídeo gravado por uma mulher enquanto ela acerta contas com a suposta amante do marido. O fato aconteceu em Sorocaba, no interior de São Paulo, e o arquivo disponível na rede mostra a advogada Vivian Almeida de Oliveira, de 34 anos, exibindo os e-mails trocados entre seu marido e a amante para, no fim, agredir a outra mulher. Embora tenha ficado poucos minutos na internet inicialmente, outros usuários recolocaram o vídeo e informações se espalharam pelo Orkut e pelo Twitter.

Os dez minutos de vídeo vazaram de uma gravação total de 1 hora e 20 minutos. A advogada colocou o vídeo no Orkut achando que apenas seus amigos teriam acesso. No entanto, o caso rapidamente saiu do controle e tomou proporções inesperadas, levantando questionamentos sobre a privacidade na internet – ou como não dá para controlar o fluxo das informações enviadas à rede.

Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados, etc), vá até o fim da reportagem e utilize a seção de comentários. A coluna responde perguntas deixadas por leitores todas as quartas-feiras.

Internautas descobriram nomes, fotos, trotes e perfis em redes sociais
O vídeo se espalhar na rede não foi suficiente. Internautas e alguns trolls rapidamente garimparam o nome dos envolvidos e fotos. Os links para os perfis em redes sociais começaram a acompanhar cada postagem do vídeo no YouTube.

Os mais invasivos descobriram os números de telefone e fizeram trotes, tentando extrair informação ou mesmo qualquer reação. As chamadas, normalmente realizadas via VoIP e gravadas, foram depois colocadas na internet. Em um dos trotes, feitos com o marido da advogada, o troll se passa por um jornalista querendo “ouvir os dois lados”. O homem acaba divulgando outro número de telefone.

Em outras palavras, é fácil hoje descobrir informações pessoais usando os recursos na internet. Seja porque muitas pessoas deixam esses dados sem querer em alguns bancos de dados – como listas telefônicas – ou porque acabam colocando essas informações propositalmente em perfis de redes sociais. E, na maioria dos casos, um nome completo é suficiente para achar um perfil no Orkut.

“Muitas vezes, colocamos informações pessoais na internet sem nos preocuparmos com quem terá acesso a estas informações e, principalmente, como irão lidar com elas”, opina a advogada especializada em tecnologia Laine Souza.

A difícil luta pela privacidade na web e o fator humano
O vídeo postado por Vivian apareceu publicamente, embora a maioria das redes sociais permita que o acesso a alguns recursos seja limitado para os amigos ou, ainda, apenas para alguns deles. Ela afirmou ao G1 que achou que o vídeo ficaria só no seu círculo de amigos.

A situação foi bem diferente, apesar o arquivo ter sido logo retirado pela própria Vivian. O caso tornou-se um “hit” na web e o vídeo era repetidamente recolocado na rede sempre que removido.

Essa não é uma dificuldade apenas para leigos. Até o diretor-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, teve fotos pessoais expostas no ano passado, quando o site mudou algumas configurações. O Facebook acabou sendo alvo de críticas pesadas sobre sua política de privacidade, forçando a criar uma forma mais simples de configurar o compartilhamento da informação.

Mas, às vezes, o problema foge do controle exercido pelos sites. Mesmo que as permissões sejam corretamente configuradas para que os dados não fiquem disponíveis publicamente, “amigos” da rede social ainda podem espalhar o conteúdo adiante.

E levante a mão quem nunca precisou adicionar alguém não muito “amigo” por necessidade social, ou que categoriza essas pessoas de tal maneira a facilitar o gerenciamento das permissões na rede. Isso é raro; na maioria das vezes, não é possível exercer um controle adequado.

De um jeito ou de outro, em um universo de 999 amigos, por exemplo – o limite do Orkut –, gerenciar as permissões com precisão, no mínimo, consumiria muito tempo, mesmo que funcionasse. Mas, com tantas pessoas vendo as informações postadas, é improvável que alguma não vaze os dados. Atire a primeira pedra quem nunca encaminhou fotos particulares no Orkut via “print screen” ou link direto.

Os grandes casos não precisam ser nada mais do que um pequeno “vazamento” desses alcançando proporções não inesperadas por quem estava encaminhando a foto, vídeo ou informação. Basta pensar nos vídeos pornográficos caseiros ou de celebridades que estão na internet.

Quem disseminar informação prejudicial pode responder judicialmente
Se a informação encontrada no perfil de um amigo e publicada na web prejudicar alguém, aquele que a espalhou pode ter de responder judicialmente. Se a informação inicial estava apenas disponível para amigos, o autor original irá responder por danos mais limitados.

“Se, por exemplo, uma pessoa coloca só para os amigos, e um amigo pega e espalha, ele responde sim por danos morais – e ela também”, explica a advogada Laine Souza. “Só que a primeira demonstra que quis apenas mostrar pros amigos e conhecidos, mas que um amigo, de má-fé, pra fazer o circo pegar fogo espalhou pra todo mundo”, complementa.

Se a informação não prejudicar ninguém, a advogada ainda adverte que direitos intelectuais, morais ou de imagem podem estar sendo infringidos caso o arquivo venha a ser disseminado.

Deixar fora da internet é o caminho mais seguro
“Devemos ficar atentos nas informações divulgadas para que um terceiro mal intencionado não as utilizem de forma a nos prejudicar ou prejudicar um terceiro”, adverte a advogada Laine Souza.

Mas, considerando as dificuldades existentes, o caminho mais seguro é não colocar as informações na rede. O que se perde costuma ser muito pouco, e o dano evitado muito grande. Simplesmente não existe maneira de controlar o destino do conteúdo posto na web. Rapidamente, as proporções extrapolam qualquer expectativa e depois já não existe meio de retirar o arquivo da rede.

Se existe qualquer risco de isso acontecer, não expor a informação é a única maneira de garantir que ela não se torne pública.

Matéria produzida por: Altieres Rohr é especialista em segurança de computadores!

Via: G1

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